França mobilizará 70 mil policiais para nova onda de protestos

A França mobilizará 70 mil policiais, apoiados por unidades especializadas, para as manifestações de sábado, afirmou o ministro do Interior, Laurent Nuñez, nesta sexta-feira (23). Nuñez acusou grupos da extrema esquerda de incentivar a violência e os saques após os distúrbios que chocaram o país no último fim de semana.
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O governo busca evitar uma repetição das manifestações da semana passada, que causaram tumultos, saques e incêndios criminosos em várias cidades, provocando críticas generalizadas às autoridades por não terem conseguido impedir o caos.
"Seremos implacáveis com os responsáveis por tumultos, os saqueadores e todos aqueles que cometerem atos de violência", disse Nuñez a jornalistas nesta sexta-feira, após reuniões com a participação do presidente Emmanuel Macron, do primeiro-ministro Sébastien Lecornu e de altos funcionários da área de segurança.
Nuñez afirmou que as autoridades identificaram numerosos apelos na internet feitos por grupos da esquerda radical incentivando ataques e conclamando ativistas a terem como alvo prédios públicos.
"Não estamos falando de uma manifestação agradável e amistosa", disse Nuñez, acrescentando: "Estamos preparados para amanhã. Seremos extremamente vigilantes, extremamente firmes e não toleraremos absolutamente nada."
Nas últimas semanas, a insatisfação com o custo de vida e as dificuldades enfrentadas pelos serviços públicos levou estudantes, trabalhadores e sindicatos às ruas da França, mas as autoridades afirmam que militantes radicais e grupos de jovens saqueadores se aproveitaram do movimento para provocar o caos.
A polícia autorizou apenas uma manifestação sindical em Paris no sábado, rejeitando pedidos de protestos apresentados pela principal entidade estudantil francesa, a UNEF, e pelo movimento dos Coletes Amarelos, uma força de contestação ao sistema político que surgiu em 2018.
Muitas cidades francesas além de Paris também proibiram manifestações, incluindo Marselha e Lyon, respectivamente a segunda e a terceira maiores cidades do país.
A UNEF afirmou que seus protestos, que tiveram origem em manifestações de estudantes do ensino médio no mês passado contra a falta de professores e as condições precárias das instalações escolares, ocorrerão independentemente das proibições.
O temor de novos distúrbios levou várias das instituições culturais mais conhecidas de Paris, incluindo o Louvre, a fechar no sábado, enquanto a feira Art Basel, normalmente bastante movimentada, permanecerá fechada durante todo o fim de semana.
Entidades empresariais também recomendaram que as lojas permaneçam fechadas, depois que cerca de 3 mil estabelecimentos comerciais foram saqueados e depredados no último fim de semana.
Nuñez afirmou que haverá 10 mil policiais a mais nas ruas em comparação com a semana passada. As unidades especializadas RAID e GIGN, além de policiais montados, helicópteros, drones e sistemas antidrones, serão mobilizados em todo o país.
Veículos blindados e equipados com canhões de água também estarão disponíveis, enquanto os toques de recolher impostos em algumas áreas consideradas sensíveis ao longo da última semana permanecerão em vigor.
O ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, fala durante uma entrevista coletiva sobre a operação de segurança para os protestos previstos em todo o país
REUTERS/Stephanie Lecocq
Evento da extrema direita é possível foco de tensão
As autoridades também estão preocupadas com a possibilidade de que o congresso anual do partido de extrema direita Reunião Nacional, de Marine Le Pen, em Orléans, neste fim de semana, se torne um foco de tensão, após grupos de esquerda e antirracistas anunciarem contramanifestações.
A escalada da violência impulsionou os índices de intenção de voto em Le Pen, que lidera a disputa para a eleição presidencial do próximo ano. Ela tem apresentado os distúrbios como prova de um colapso da autoridade do Estado.
Aumentando as tensões, uma pessoa morreu e quatro ficaram feridas em um ataque a tiros a oeste de Paris nesta sexta-feira, em um episódio que, segundo a polícia, pode ter motivação racial.
Macron deverá se reunir com representantes estudantis ainda nesta sexta-feira, pela primeira vez, em uma tentativa de reduzir a escalada de uma crise que expôs profundas tensões sociais e políticas.
Marylise Léon, secretária-geral da CFDT, uma das maiores centrais sindicais do país, criticou o presidente nesta sexta-feira por se recusar a autorizar mais manifestações no sábado.
"É contraproducente, porque há muita revolta, muita revolta e uma reivindicação de ser levado em consideração e ouvido", disse ela à emissora francesa TF1. "Não cabe ao presidente decidir quem pode legitimamente solicitar autorização para protestar."
A turbulência social intensificou o escrutínio sobre as perspectivas econômicas da França, e há ampla expectativa de que a agência de classificação de risco Moody's rebaixe a nota de crédito do país nesta sexta-feira, refletindo as preocupações de que o governo não conseguiu conter os gastos públicos.
Um homem arremessa um cone de trânsito de plástico através de uma barricada em chamas durante confrontos em um dia de manifestações contra o custo de vida e a alta dos preços dos combustíveis, em Paris
REUTERS/Abdul Saboor


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