Ouro cai em meio a aversão global a risco e avanço do petróleo

Os contratos futuros do ouro encerraram esta quinta-feira (22) em forte queda, pressionados pelo aumento na percepção de risco geopolítico e do avanço dos preços do petróleo, menos de uma semana antes da próxima decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
Na Comex, a divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos futuros de ouro com entrega para novembro encerraram em queda de 2,16%, cotados a US$ 4.046,1 por onça-troy.
O ativo não conseguiu se valorizar diante do sentimento de aversão ao risco em nível global que marca a sessão de hoje, com um forte ajuste de posições no setor de tecnologia em meio aos receios com a capitalização dessas empresas.
A alta nos preços do petróleo contribuiu à tendência negativa vista no mercado ouro, com a referência global, o Brent, acima da faixa de US$ 112 por barril. O New York Times reportou que os Estados Unidos e Israel estavam planejando novos ataques contra o Irã após as eleições de meio mandato (“midterms”), que acontecerão em novembro. Além disso, novos ataques à Arábia Saudita e às estruturas petrolíferas da Saudi Aramco adicionaram ao prêmio de risco da commodity.
O ouro, diferentemente dos Treasuries, foi incapaz de capitalizar na aversão ao risco predominante no mercado. “A incapacidade do ouro de tirar proveito da mais recente onda de aversão ao risco continua sendo um ponto central de atenção. Apesar da queda nos rendimentos dos Treasuries, de um dólar ligeiramente mais fraco e da crescente incerteza geopolítica, o metal precioso, pela terceira vez neste mês, encontra dificuldades para superar o patamar de US$ 4,1 mil”, disse Ole Hansen, do Saxo Bank.
O estrategista-chefe atribui a queda do ouro às vendas especulativas, visto que o aumento das posições em ETFs sugere uma manutenção da tese de investimento subjacente. “Assim que a atual onda de liquidação especulativa arrefecer, os investidores de longo prazo poderão recuperar uma influência maior sobre a direção dos preços”, acrescentou.
Barras de ouro
Angel Garcia/Bloomberg


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