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Campo Grande,14/10/2026

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Governo do Peru impõe cabelo curto a meninos e proíbe maquiagem nas escolas públicas

Fonte: valor.globo.com
Governo do Peru impõe cabelo curto a meninos e proíbe maquiagem nas escolas públicas


A presidente do Peru, Keiko Fujimori, anunciou um novo regulamento disciplinar para as escolas públicas que determina que meninos mantenham os cabelos curtos e que proíbe maquiagem, esmalte e cabelos tingidos. As normas também estabelecem regras para o comprimento das saias dos uniformes usadas por estudantes de todo o país.

"Os meninos devem usar cabelo curto. É totalmente proibido pintar o cabelo ou usar maquiagem", disse Keiko, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, em um evento do governo em uma escola na periferia de Lima, a capital do país. "A ordem não deve reinar apenas nas ruas, mas também voltar às nossas escolas, às nossas salas de aula."

As novas regras também preveem a proibição do uso de celulares pelos alunos, salvo autorização do professor, uma medida que vem sendo adotada por vários países, em busca de reduzir a distração dos estudantes dentro das salas de aula. Também estão previstas a expulsão de alunos em casos de infrações mais graves e a retomada de notas disciplinares.

O ministro da Educação, José Chang, explicou que o rigor em relação à aparência pessoal dos estudantes e as regras para os uniformes serão restritos às escolas públicas, que atendem cerca de 6 milhões de crianças peruanas. As instituições particulares, frequentadas normalmente por filhos de famílias com maior poder aquisitivo, poderão continuar estabelecendo as próprias regras.

O regulamento disciplinar deverá ser publicado no Diário Oficial do Peru antes de entrar em vigor. Segundo o Ministério da Educação, a medida deve ser oficializada até o final deste ano. Após a publicação, os cidadãos terão um prazo de 30 dias para apresentarem objeções e críticas à medida.

A ex-vice-ministra de Gestão Pedagógica Ana Andrade Pacora criticou as novas regras anunciadas por Keiko. "Acredito que essas são medidas absolutamente equivocadas e nos farão retroceder mais de três décadas como sociedade. Equivalem a uma renúncia declarada da escola à missão de oferecer uma formação integral às novas gerações e prepará-las para o exercício da cidadania", disse ela em entrevista ao jornal espanhol El País.

Organizações da sociedade civil, como o Centro da Mulher Peruana Flora Tristan e a Coordenadoria Nacional de Direitos Humanos, também contestaram as propostas do governo, dizendo que as restrições à aparência dos estudantes não contribuem para prevenir a violência nas escolas e que as medidas são "populistas e autoritárias".

As medidas foram tomadas depois que um adolescente de 16 anos denunciou ter sido agredido sexualmente por seus colegas durante uma viagem em um ônibus escolar. A Justiça peruana determinou a internação preventiva de seis estudantes de uma escola administrada pela Marinha, o que também gerou a intervenção do governo no local e reacendeu o debate sobre a violência nas instituições de ensino do país.

Após as críticas, Keiko defendeu as medidas. "Sei que pode ser bastante restrito, mas acreditem em mim: isso será importante ao longo da vida. Todos esses critérios estabelecerão dis-ci-pli-na", disse a presidente, enfatizando cada sílaba.

Ao tomar posse como primeira presidente da história do país, Keiko prometeu estabilizar o poder. Após um disputado processo eleitoral, ela tem o desafio de produzir resultados capazes de garantir a conclusão de seu mandato de cinco anos, algo que nenhum de seus oito antecessores conseguiu.

A conservadora peruana Keiko Fujimori discursa para a imprensa na sede de seu partido
REUTERS/Angela Ponce




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