Lula diz que Mendonça estava usando cargo de relator para fazer política

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (17), que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), estava agindo politicamente na relatoria do caso do Banco Master. Segundo ele, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário ao Planalto, está "atolado" no escândalo e o ministro Alexandre Moraes acertou 'em defender a democracia', mas, se errou, 'tem de pagar'.
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"André Mendonça estava utilizando o cargo de relator para fazer política", acusou Lula, em entrevista à rádio Itatiaia. "Está provado que ele estava fazendo política, estava fazendo denúncia seletiva, divulgando apenas aquilo que interessava para ele", disse, porém sem apresentar provas.
As ações de Mendonça têm sido chamadas de "seletivas" pela cúpula da campanha de Lula desde que o ministro começou a retirar parcialmente o sigilo dos processos. "Quem quer manter sob segredo safadeza que foi feita no Brasil com Master?", questionou Lula. "Se tem informação, divulgue, o povo precisa decidir, e a Justiça, que julgue. Ninguém é impune diante da lei. Quem cometeu, que pague pelo erro."
O petista também voltou a atacar o adversário nas eleições de outubro. "O Flávio (Bolsonaro) sabe que não vai escapar. O Flávio está atolado até o pescoço em todas as falcatruas do Master", afirmou.
Lula negou ainda que defenda Moraes, mas disse que o ministro "foi correto em defender democracia". "Se ele cometeu erro no contrato que ele fez, é uma decisão da Suprema Corte, que pode julgar. Se tiver errado, pode pagar pelo erro que cometeu", ponderou.
O presidente disse ainda que a crítica dos bolsonaristas ao ministro não é pautada pelo escândalo. "A briga da família Bolsonaro com o Moraes não é por causa do Banco Master, é por causa da prisão da família", afirmou, em referência ao julgamento dos atos golpistas de 8 de Janeiro, com relatoria de Moraes, que levou à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ele voltou, no entanto, a tratar da reforma do Judiciário e de possíveis mandatos para juízes das Supremas Cortes, algo defendido pelo PT. "Ninguém pode ficar 30, 40 anos no STF", afirmou o presidente.
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