UE promete manter sanções contra a Rússia após mudança de postura dos EUA

Lideranças da União Europeia (UE) prometeram manter as sanções contra a Rússia e o apoio à Ucrânia, apesar da decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aliviar restrições ao combustível russo para conter a alta dos preços do diesel, informou o Financial Times (FT).
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta sexta-feira (16), ao lado do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que o bloco prepara um novo pacote de sanções contra Moscou, o 22º desde o início da invasão em larga escala, em 2022.
"Não suspenderemos nenhuma sanção a menos que a Rússia interrompa a guerra", afirmou von der Leyen, enquanto líderes se reuniam em Bruxelas para discutir as necessidades de Kiev e o apoio da UE para 2027.
Os governos europeus têm enfrentado o desafio de manter o apoio financeiro e militar a Kiev ao mesmo tempo em que buscam aliviar as preocupações de suas populações com a alta dos preços da energia e do custo de vida.
Trump atribui com frequência a disparada dos preços dos combustíveis aos ataques ucranianos contra refinarias russas, apesar de especialistas afirmarem que a alta foi impulsionada principalmente pela guerra contra o Irã, iniciada em fevereiro.
O encarecimento da energia é hoje uma das principais preocupações do chefe da Casa Branca, cujo Partido Republicano disputará as eleições legislativas de meio de mandato em 3 de novembro, quando o controle do Congresso americano, atualmente sob maioria republicana, pode ser redefinido.
Nesse contexto, Washington anunciou a suspensão temporária das sanções sobre o diesel russo e considera retirar restrições impostas a alguns petroleiros da chamada "frota fantasma", utilizada por Moscou para transportar petróleo e contornar sanções ocidentais, de acordo com relatos de pessoas familiarizadas com o assunto ao FT. Além disso, o governo Trump não afasta a possibilidade de descongelar ativos russos.
As iniciativas provocaram críticas da Ucrânia e de governos europeus, que temem que o alívio das restrições reduza a pressão econômica sobre o presidente russo, Vladimir Putin, sem exigir concessões para encerrar o conflito, que já dura mais de quatro anos.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, observa durante uma entrevista coletiva em uma cúpula de líderes da União Europeia em Bruxelas
REUTERS/Yves Herman
Trégua energética entra em colapso
A recente deterioração das relações entre Washington e Kiev se intensificou após o fracasso de um cessar-fogo energético anunciado por Trump no domingo passado. A Ucrânia suspendeu temporariamente seus ataques a refinarias russas, mas Moscou continuou bombardeando instalações de energia ucranianas. Quatro dias depois, Zelensky afirmou ao Financial Times que Kiev estava abandonando o acordo.
Moscou exibiu pela primeira vez as consequências de um ataque ucraniano contra uma refinaria russa em Ryazan na televisão estatal, de modo a se aproveitar das críticas de Trump a Kiev. O presidente dos EUA classificou a ofensiva da Ucrânia como “uma vergonha”.
Na reunião em Bruxelas nesta sexta-feira, Zelensky reforçou o pedido aos líderes europeus para que ampliem o apoio militar e financeiro à Ucrânia antes da chegada do quarto inverno desde a invasão russa em larga escala. O presidente ucraniano destacou especialmente a necessidade de sistemas de defesa aérea para proteger a infraestrutura civil dos constantes ataques russos com mísseis e drones.
Estimativas da Comissão Europeia apontam que Kiev precisará de cerca de 70 bilhões de euros adicionais em 2027 para financiar seu orçamento e suas necessidades militares. O bloco disse trabalhar em alternativas para cobrir cerca de dois terços desse montante.
Na quinta-feira, o Parlamento ucraniano aprovou uma série de leis exigidas pela UE para liberar aproximadamente 34 bilhões de euros em financiamento europeu, após semanas de atrasos.


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