Nvidia e Apple doaram US$ 25 mi cada para salão de festas de Trump, diz jornal

A Nvidia e a Apple se comprometeram a doar US$ 25 milhões cada para a construção do salão de festas planejado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, segundo reportagem do Washington Post publicada nesta quinta-feira (15), que apontou US$ 333 milhões em doações privadas para o projeto.
A família Adelson, que há muito tempo apoia financeiramente Trump e seu Partido Republicano, também se comprometeu a doar US$ 25 milhões, assim como o bilionário Charles Ergen, cofundador e presidente do conselho de administração da empresa de telecomunicações Dish Network, acrescentou a reportagem.
O próprio presidente não aparece na lista, segundo o jornal.
A Reuters não verificou as informações da reportagem. A Casa Branca afirmou que não divulgará informações sobre os doadores, que, segundo o porta-voz Davis Ingle, “representam uma ampla variedade de grandes empresas americanas”.
“Os mesmos críticos que estão fazendo falsas acusações de conflitos de interesse também reclamariam se os contribuintes americanos estivessem pagando a conta dessas reformas há muito necessárias”, disse Ingle à Reuters.
A Nvidia afirmou ter orgulho de fazer uma doação a um fundo apartidário que atende aos americanos. “Como empresa americana, nosso apoio aos Estados Unidos é fundamental e independente de quaisquer interesses comerciais”, disse um porta-voz.
A Apple se recusou a comentar.
A dimensão do projeto do salão de festas e a forma como o governo tem conduzido a arrecadação de recursos e a divulgação de informações provocaram críticas de organizações de fiscalização e especialistas jurídicos, que afirmam que a iniciativa levanta questões sobre transparência, influência de doadores e cumprimento de normas tradicionais de ética e supervisão.
Trump afirmou inicialmente que ele e doadores ricos financiariam o projeto, estimado em US$ 400 milhões, mas posteriormente tentou, sem sucesso, obter US$ 1 bilhão do Congresso para a construção de um bunker subterrâneo e a instalação de recursos de segurança destinados a reforçar a proteção das instalações.
O The Washington Post informou que a “grande maioria dos recursos arrecadados veio de empresas e indivíduos ricos com interesses perante o governo federal” e que metade do total foi proveniente de companhias ou executivos de empresas que mantiveram contratos com o governo federal durante o segundo mandato de Trump na Casa Branca.
O salão de festas planejado está entre os diversos projetos que Trump pretende realizar como parte de seus esforços para remodelar Washington por meio de mudanças abrangentes e unilaterais, que seus opositores contestaram na Justiça e classificaram como uma concentração indevida de poder.
A Suprema Corte dos Estados Unidos, em uma decisão por cinco votos a quatro em agosto, permitiu que Trump continuasse a construção do salão de festas enquanto contesta uma ordem judicial que impediria grande parte das obras. Em voto divergente, o presidente da Suprema Corte, John Roberts, afirmou que o projeto era “provavelmente ilegal”.
O salão de festas, que, segundo Trump, terá capacidade para acomodar mil convidados, tem enfrentado críticas públicas. Defensores da preservação histórica e opositores afirmam que Trump excedeu sua autoridade ao demolir a histórica Ala Leste, que abrigava os escritórios da primeira-dama e o cinema da Casa Branca, para abrir espaço à construção.
Trump afirma que o salão de festas planejado para a Casa Branca, com uma área de 8.360 metros quadrados, incluirá abrigos antibombas, instalações médicas, sistemas de defesa contra drones e mísseis e outros recursos de segurança.
Diante das críticas ao projeto, seu governo passou a afirmar que a instalação é necessária para a segurança nacional, argumento que o presidente também utilizou para defender a construção de um arco do triunfo proposto por ele.
AP/Jacquelyn Martin


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