Lula retoma atos de campanha após dias de discussões internas na campanha

Após quatro dias de discussões internas para contornar o cenário adverso no segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retoma, amanhã e sábado, suas agendas de campanha pelos Estados. A 17 dias da votação, a estratégia é tentar recuperar votos e fortalecer os palanques do PT, na tentativa de capilarizar eleitores. O foco principal é que Lula adote, de forma mais explícita, uma postura de candidato.
A nova fase da campanha deve priorizar mobilizações de rua, com caminhadas e atos de maior contato com o povo em relação aos comícios tradicionais. A mudança ocorre depois de quase uma semana de reuniões sobre as dificuldades enfrentadas pelo presidente em regiões consideradas estratégicas.
A primeira agenda será em Ceilândia, no Distrito Federal, onde Lula participará de uma caminhada a partir das 10h. No ente federativo, o PT disputa o segundo turno com Leandro Grass contra a atual governadora, Celina Leão (PP). Celina Leãoterminou o primeiro turno com 49,93% dos votos válidos e, Grass, com 34,47%.
Grass tem se reunido com Lula nesta semana em busca de uma estratégia capaz de ampliar sua votação e, ao mesmo tempo, melhorar o desempenho do presidente no Distrito Federal. Um dos caminhos explorados pela campanha é elevar a rejeição a Leão associando sua gestão à crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.
Na terça-feira (6), o chefe do Executivo se reuniu com o candidato petista para discutir os próximos passos da campanha. Na ocasião, o presidente afirmou que Grass havia levado a ele "informações importantes" sobre o BRB, mas disse que trataria do assunto "em outro momento".
A crise do BRB foi um dos temas centrais da disputa pelo governo do Distrito Federal e serviu de munição para candidatos de diferentes espectros políticos criticarem a gestão da atual governadora, que era vice de Ibaneis Rocha (MDB). Mesmo assim, o escândalo envolvendo o Banco Master não foi suficiente para impedir que Leão conseguisse liderar a disputa no primeiro turno.
Poucos dias antes da votação do primeiro turno, Lula esteve em Ceilândia para um ato de campanha e atacou diretamente Leão, a quem chamou de "cínica e mentirosa". Na ocasião, afirmou ainda que o governo federal "não vai dar dinheiro" para resgatar o BRB.
Apesar da presença de Lula no Distrito Federal, o presidente pretende concentrar esforços na recuperação de votos perdidos em relação a 2022, especialmente nas regiões Nordeste e Sudeste. De olho nisso, no sábado (10), Lula participará de uma caminhada em Natal (RN) em apoio a Cadu de Lula, candidato do PT ao Estado. Ele enfrenta Allyson, do União Brasil.
A escolha das caminhadas como principal formato de mobilização é uma tentativa de aproximar Lula do eleitor e dar à campanha uma dinâmica mais pessoal e menos institucional. A estratégia é promover uma mobilização popular nas cidades.
Paralelamente, a campanha passou a escalar lideranças e personalidades regionais para uma comunicação mais direcionada a cada Estado. A intenção é adaptar o discurso às particularidades locais, como forma mais orgânica de chegar aos eleitores.
Ontem, durante reunião com parlamentares em Brasília, Lula também gravou vídeos convocando apoiadores para a caminhada no Rio Grande do Norte. A intenção é fazer viagens, mas com o objetivo na disputa nacional.

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