Irã diz que não abrirá mão do enriquecimento de urânio nem entregará seus estoques

O Irã não abrirá mão do enriquecimento de urânio nem entregará seus estoques do material, informou a mídia estatal nesta quinta-feira, citando o chefe da Organização de Energia Atômica do país, Mohammad Eslami. A declaração foi dada depois que os Estados Unidos afirmaram que o Irã precisa fazer reduções "significativas" em sua capacidade de enriquecimento.
Leia também:
Vance condiciona fim da guerra à redução do enriquecimento nuclear do Irã
Trump afirma que não atacará Irã antes da eleição de 3 de novembro nos EUA
Riscos de ataques a petroleiros aumentam após Irã prometer bloquear mais rotas em Ormuz
Ao descartar as novas ameaças americanas contra as instalações nucleares iranianas como "nada de novo", Eslami afirmou que o enriquecimento era "parte inseparável" do processo nuclear.
As declarações de Eslami ocorrem em um momento em que Teerã e Washington trocaram propostas nas últimas semanas com o objetivo de encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte global de energia.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta quinta-feira que o país poderá responder em poucos dias à reação americana à proposta iraniana, segundo a qual Ormuz poderia ser reaberto em até sete dias, caso determinadas condições fossem atendidas.
"O enriquecimento é parte integrante do processo nuclear, e não abriremos mão dele de forma alguma. Como é possível afirmar que se tem uma indústria nuclear sem contar com o ponto de partida do processo? A indústria nuclear é a força motriz da ciência e da tecnologia", acrescentou Eslami.
O presidente americano, Donald Trump, afirmou mais tarde nesta quinta-feira que os EUA estão mantendo discussões produtivas com o Irã e que não lançarão nenhum ataque antes das eleições legislativas americanas de novembro.
Israel, EUA e outros países ocidentais acusam há muito tempo o Irã de buscar armas nucleares, apontando, entre outros fatores, a decisão de enriquecer urânio a 60%, nível muito superior ao necessário para usos civis e mais próximo dos 90% exigidos para uma arma nuclear.
O Irã nega buscar armas nucleares. Autoridades iranianas afirmaram que Teerã poderia concordar em diluir seu urânio com maior grau de enriquecimento.
Um homem passa diante de um outdoor com imagens do falecido líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, do ex-líder do Hezbollah Hassan Nasrallah e do comandante militar Qassem Soleimani, também falecidos, em uma rua de Teerã
Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS

COMENTÁRIOS