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Campo Grande,05/10/2026

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Inflação elevada ainda não está provocando efeitos secundários, diz integrante do BCE

Fonte: valor.globo.com
Inflação elevada ainda não está provocando efeitos secundários, diz integrante do BCE


A inflação na zona do euro está elevada e os riscos de alta predominam, mas o aumento dos custos da energia ainda não se refletiu nos salários e em outros preços, afirmou nesta segunda-feira o presidente do banco central alemão e integrante do conselho do Banco Central Europeu (BCE), Joachim Nagel.

A inflação anual no bloco monetário de 21 países está atualmente em 3,8%, quase o dobro da meta de 2% do BCE, e ainda pode aumentar, alimentando preocupações de que a alta dos preços da energia acabe por desencadear efeitos secundários difíceis de conter, perpetuando o rápido aumento dos preços sem uma ação agressiva do banco central.

“Até o momento, não há sinais claros de que a inflação tenha se refletido na definição de preços e salários”, disse Nagel em um discurso em Sorrento, na Itália. “As expectativas de longo prazo, tanto do mercado quanto dos especialistas, permanecem consistentes com a meta de inflação de 2% do Eurosistema.”

Ainda assim, Nagel não deu o sinal de que o perigo passou e alertou que as pressões sobre os preços devem permanecer fortes, mesmo excluindo os custos voláteis dos alimentos e da energia.

“Os preços do gás são especialmente vulneráveis porque os níveis de estoque estão baixos, e a Europa pode precisar comprar volumes substancialmente maiores durante o inverno”, disse Nagel em uma conferência sobre metais preciosos.

“A destruição da capacidade de refino está elevando significativamente os preços dos derivados de petróleo. Secas, incêndios florestais e escassez de fertilizantes também representam riscos para os preços dos alimentos”, acrescentou Nagel.

Essa longa lista de riscos é o motivo pelo qual os mercados financeiros esperam que o BCE aumente sua taxa de depósito de 2,5% mais duas ou três vezes ao longo dos próximos 12 meses.

Nagel, no entanto, não endossou as apostas do mercado e limitou-se a dizer que o BCE precisa ser flexível e continuar a tomar decisões com base nos dados que forem surgindo.

Os mercados estão precificando uma probabilidade de 20% de alta da taxa de juros pelo BCE em outubro e de 80% de um aumento em dezembro, de acordo com dados da LSEG.

Alex Kraus/Bloomberg




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