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Campo Grande,01/10/2026

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EUA consideram improvável invasão de Taiwan pela China em 2027

Fonte: valor.globo.com
EUA consideram improvável invasão de Taiwan pela China em 2027


Autoridades americanas acreditam que uma invasão de Taiwan pela China antes de 2028 é cada vez mais improvável, apesar das instruções do presidente chinês, Xi Jinping, para que suas Forças Armadas estejam prontas até 2027 para tomar pela força, se necessário, a ilha governada democraticamente, disseram pessoas a par da avaliação dos Estados Unidos.
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Entre os principais motivos estão atrasos na prontidão militar em meio à campanha anticorrupção do Partido Comunista Chinês, além do interesse de Pequim em aguardar o resultado da eleição de Taiwan em 2028, que algumas autoridades chinesas esperam que possa levar ao poder um governo mais receptivo à ideia de colocar a ilha sob controle da China, segundo duas autoridades americanas em exercício, uma ex-autoridade americana e uma pessoa a par do assunto.

Pequim pode se mostrar cada vez mais disposta a recorrer à força a partir de 2028 caso o Partido Democrático Progressista (PDP) conquiste um quarto mandato consecutivo na eleição de Taiwan, sobretudo se o atual presidente, Lai Ching-te, for reeleito, acrescentaram as fontes.

“Se isso acontecer, acho que 2028 ficará bastante tenso”, disse uma das autoridades americanas, que, assim como as demais fontes, falou sob condição de anonimato.

Lai, que assumiu o cargo há dois anos, e o PDP, seu partido, defendem uma identidade de Taiwan distinta da China, posição que frequentemente irrita Pequim, que considera a ilha uma parte inviolável do território chinês. Taiwan rejeita enfaticamente as reivindicações da China e afirma que somente seu povo pode decidir seu futuro.

A avaliação, que não havia sido divulgada anteriormente, representa uma atualização significativa do entendimento mantido há anos entre autoridades americanas de que Xi queria que suas Forças Armadas estivessem prontas para potencialmente tomar Taiwan pela força em 2027, centenário da fundação do Exército de Libertação Popular. A China nunca descartou o uso da força para colocar Taiwan sob seu controle, mas nunca confirmou publicamente uma ordem para que suas forças estivessem prontas em 2027.

A porta-voz da Presidência de Taiwan, Karen Kuo Ya-hui, disse em comunicado que, sob a liderança de Lai, Taiwan não apenas fortalecerá sua capacidade de autodefesa, mas também continuará trabalhando em estreita colaboração com todos os aliados democráticos internacionais, incluindo os EUA, para manter o status quo, dissuadir ameaças por meio da força e garantir a paz.

“Pela liberdade, democracia, prosperidade e bem-estar de seus cidadãos, Taiwan não abandonará seu compromisso com a democracia e a liberdade diante de qualquer ameaça militar”, acrescentou.

O Pentágono não quis comentar, enquanto o Ministério das Relações Exteriores da China e a embaixada chinesa em Washington não responderam a pedidos de comentário.

Em um discurso nesta semana, Xi fez referência a Taiwan e falou em promover o desenvolvimento pacífico das relações através do Estreito para alcançar a “reunificação”.

A meta de 2027, que, de acordo com analistas, diz respeito à prontidão militar chinesa e não a um cronograma para uma invasão, há anos cria um senso de urgência em sucessivos governos americanos nos esforços para conter a China na região Ásia-Pacífico.

A comunidade de inteligência dos EUA já havia dado sinais de cautela por parte da China. Em sua avaliação anual de ameaças, divulgada em março, afirmou que a China não tinha, pelo menos naquele momento, um plano para invadir Taiwan no próximo ano e ainda preferia assumir o controle da ilha sem recorrer à força, se possível.
Um helicóptero CH-47SD sobrevoa Taipé com uma bandeira de Taiwan durante as comemorações do Dia Nacional, em Taiwan, no domingo, 10 de outubro de 2021
I-Hwa Cheng/Bloomberg


Eleições nos EUA como fator?
Os EUA são o mais importante apoiador internacional e fornecedor de armas de Taiwan, apesar da ausência de relações diplomáticas formais, e autoridades americanas apresentaram avaliações divergentes sobre até que ponto a China poderia considerar a eleição presidencial americana de 2028 um indicador importante para uma eventual ação militar.

Embora três das pessoas a par do assunto tenham dito que Pequim também pode querer avaliar o resultado da eleição americana, sobretudo diante da crescente resistência dos eleitores dos EUA a ações militares do país no exterior, a primeira autoridade americana afirmou que Pequim considera democratas e republicanos amplamente alinhados em relação a Taiwan.

Embora a China possa ter uma preferência na eleição americana de 2028, “isso não se torna, na minha opinião, um fator tão decisivo quanto poderia ter sido há 15 anos”, disse a autoridade.

O presidente dos EUA, Donald Trump, minimizou a possibilidade de uma invasão chinesa de Taiwan durante seu mandato, chegando a dizer no ano passado que Xi lhe havia afirmado que a China não invadiria a ilha enquanto ele estivesse no cargo.

Trump fez poucos comentários sobre Taiwan depois de receber Xi em Washington na semana passada, dizendo apenas que a questão de Taiwan surgiu durante a conversa e que Xi compreendia sua posição.

A China considera Taiwan sua questão mais importante e um tema relacionado à soberania e à integridade territorial chinesas.

Pequim pediu o fim das vendas de armas americanas a Taiwan. Desde sua viagem a Pequim, em maio, Trump vem adiando a aprovação de um novo pacote de armamentos avaliado em cerca de US$ 14 bilhões, descrevendo-o como uma “moeda de troca” nas negociações.

Há anos, a estratégia americana se concentra em armar Taiwan para que a ilha consiga conter as forças chinesas por tempo suficiente para que os EUA e outros países possam vir em seu auxílio.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, posam na Casa Branca antes de um jantar de Estado, em Washington
REUTERS/Kylie Cooper


Campanha anticorrupção
Xi não revogou sua meta de que o Exército de Libertação Popular disponha, até o próximo ano, das capacidades necessárias para tomar Taiwan pela força, conforme autoridades.

Mas as Forças Armadas não avançaram militarmente no ano passado tanto quanto provavelmente pretendiam, devido ao impacto da campanha anticorrupção chinesa, disseram as fontes.

Desde que chegou ao poder, em 2012, Xi lançou uma ampla campanha contra a corrupção e por maior disciplina. Milhões de integrantes da vasta burocracia chinesa foram investigados, e dezenas de autoridades de alto escalão do partido, do governo e das Forças Armadas foram implicadas e afastadas.

Nos últimos anos, o Exército de Libertação Popular tornou-se um dos alvos da campanha. Uma série de investigações e expulsões deixou apenas dois integrantes em atividade na Comissão Militar Central, que anteriormente tinha sete membros, incluindo o próprio Xi, que ocupa a presidência do órgão.
O presidente da China, Xi jinping
REUTERS/Evelyn Hockstein


Guerra curta e intensa
Os exercícios militares chineses no ano passado foram menores e menos ameaçadores do que os realizados nos vários anos anteriores, afirmou a autoridade americana. Embora tenham voltado a ganhar alguma intensidade neste ano, a autoridade sugeriu que os militares chineses estavam insatisfeitos com seu nível de prontidão.

A autoridade disse que se acredita que a China tenha extraído uma lição das guerras no Irã e na Ucrânia: a necessidade de agir rapidamente caso uma invasão seja iniciada e evitar ficar presa em um conflito prolongado.

A China, porém, ainda teria muito trabalho pela frente.

“Há peças demais que ainda não estão totalmente no lugar para o que provavelmente seria a operação militar mais difícil tentada por qualquer força armada desde a invasão aliada da Normandia”, disse a autoridade.




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