Israel denuncia colono pela morte de ativista palestino em rara acusação formal

Promotores de Israel denunciaram nesta quinta-feira um colono judeu pela morte de um líder comunitário palestino ocorrida no ano passado na Cisjordânia, na primeira acusação formal desse tipo em mais de sete anos, em meio ao aumento da violência de colonos no território ocupado.
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Na denúncia apresentada pelo Ministério Público, Yinon Levi é acusado de homicídio culposo pela morte de Owdeh Hathaleen, destacado ativista que participou do documentário "No Other Land", vencedor do Oscar de melhor documentário em 2025.
Levi também foi denunciado por invasão armada de propriedade e dano doloso ao patrimônio em um incidente ocorrido em julho de 2025, quando colonos operavam uma grande escavadeira na vila palestina de Umm al-Khair, desencadeando um confronto com moradores.
Hathaleen filmava o momento em que foi atingido durante o confronto. Imagens divulgadas pela organização israelense de direitos humanos B'Tselem mostram Levi sacar uma arma e disparar na direção do ativista. Em seguida, Hathaleen é ouvido gemendo enquanto cai no chão.
Levi, que foi alvo de sanções impostas pelo Reino Unido e pela União Europeia por atos de violência contra palestinos, já havia negado ter efetuado o disparo que matou Hathaleen. A Reuters não conseguiu contato imediato com seu advogado para comentar o caso.
Acusação rara
Segundo a B'Tselem, a denúncia desta quinta-feira é a primeira desde os ataques do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que desencadearam a ofensiva militar israelense em Gaza e provocaram um forte aumento da violência de colonos contra palestinos na Cisjordânia.
Nesse período, soldados e colonos israelenses mataram ao menos 1.100 palestinos, entre eles pelo menos 240 crianças, de acordo com dados das Nações Unidas.
"A decisão de denunciar Yinon Levi é a exceção que confirma a regra. A impunidade concedida por Israel a soldados e colonos que atacam palestinos não é uma falha do sistema — é um componente central de uma política destinada a permitir que essa violência continue e se intensifique", afirmou a B'Tselem.
Outra organização israelense de direitos humanos, a Yesh Din, informou que a última vez que um civil israelense foi formalmente acusado pela morte de um palestino na Cisjordânia ocorreu em 2019.
As Forças Armadas de Israel afirmam que investigam casos de irregularidades cometidas por seus soldados e que, juntamente com a polícia israelense, adotam medidas para combater a violência de colonos.
Centenas de milhares de israelenses vivem em assentamentos instalados entre milhões de palestinos em territórios conquistados por Israel na guerra de 1967 e reivindicados pelos palestinos como parte central de um futuro Estado independente.
Órgãos da ONU, os palestinos e a maior parte da comunidade internacional consideram esses assentamentos ilegais à luz do direito internacional e um dos principais obstáculos à paz. Israel contesta essa interpretação, afirmando que a presença judaica na Cisjordânia remonta a milhares de anos.
Segundo dados das Nações Unidas, 18 palestinos foram mortos neste ano em incidentes relacionados a ataques de colonos, ante 17 registrados em todo o ano de 2025.
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